sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Rondônia explora menos de 10% das reservas de ouro do Estado

Fonte: portalamazonia.com

A Amazônia tem contribuído significativamente na atividade de extração e transformação mineral realizada em todo território brasileiro. E é com os olhos voltados a dar maior visibilidade à produção do extrativismo mineral familiar na Região Norte e debater as políticas públicas para o setor que Porto Velho vai sediar o 1° Congresso Internacional de Mineração e Garimpagem Sustentável na Amazônia (CIMIGS). O evento acontece de 7 a 9 de Setembro, no auditório do ILES/ULBRA na capital rondoniense.

Os minérios mais extraídos na Amazônia são, em primeiro lugar, o ferro. O metal chegou a corresponder, em 2008, a 35,2% da produção nacional. Em segundo lugar vem à alumina (bauxita), com 17,6 % do total. O alumínio aparece em terceiro, com 15,1%, e o cobre fica na quarta posição, com 11,3%. Ainda em 2008, a extração do nióbio colocou o país em primeiro lugar no ranking internacional, em segundo com a extração de ferro, manganês e alumínio (bauxita), e em quinto com o caulim e o estanho.

Garimpo em Rondônia


Nas décadas de 60 a 80, o Estado viveu um auge de grande desenvolvimento econômico no setor. Com a abertura da BR-364, a região ficou relativamente bem, quanto ao aspecto financeiro, mas sofria com a atividade explorada de forma clandestina e manual. Em 1970, o Governo Federal proibiu a lavra manual na província estanífera de Rondônia, de acordo com a Portaria nº. 195, determinando que a exploração das jazidas fosse mecanizada, por meio de empresas.

A primeira mina de cassiterita descoberta em Rondônia se localizava no rio Machadinho, no ano de 1955. Em 1973, no auge da extração do minério, chegou-se a tirar até 7,3 mil toneladas. Neste período, a produção de Rondônia correspondeu a 80% do produzido no país.

De lá para cá, pouca coisa mudou. O modelo atual de exploração mineral ainda é artesanal e familiar. Com o apoio das cooperativas, os profissionais extraem apenas uma pequena parcela do potencial existente no Estado, o que representa resultados inferiores a 10%, apesar de estudos técnicos ligados ao setor comprovarem que há forte concentração de ouro na região.

Atualmente a cooperativa dos Garimpeiros, Mineração e Agroflorestal (Minacoop), cooperativa de Garimpeiros do Rio Madeira (Coogarima) e a cooperativa de Garimpeiros do Amazonas (Cogam), contam com 1.498 profissionais atuantes. Esses números representam famílias que fazem circular mensalmente em  Porto Velho cerca de R$ 13 milhões. A atividade gera uma renda média de mais de R$ 8 mil por família.

Preocupação com o Meio ambiente

As cooperativas encaram como desafio principal a desconstrução do atual modelo imposto pelo capital, com subordinação do Estado, e a construção de outra possibilidade de aproveitamento de forma racional dos recursos minerais na Amazônia. A maior preocupação é com a degradação do meio ambiente. A forma como a prática é feita tem gerado grandes prejuízos como crateras, matas devastadas, águas poluídas e outras sequelas, provavelmente irreversíveis.

Mais informações sobre o 1° Congresso Internacional de Mineração estão disponíveis no site do evento.

Foto: Sedam/Divulgação

Laboratório investe em produtos de baixo custo para tratamento de água

 Fonte: d24am.com

O laboratório de celulose e papel/carvão vegetal da Coordenação de Tecnologia e Inovação, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), investe em tecnologia social com inovações de baixo custo.

Uma das inovações protegidas de 2011 foi “O Filtro”, que se trata de um sistema de filtragem de água, que possui como base o uso de carvão, para torná-la de boa qualidade.

O experimento foi realizado pela tecnologista Marcela Amazonas, juntamente com técnicos e estudantes de Pibic, do Instituto. Por ser de baixo custo, o filtro proporciona às comunidades isoladas ou as classes menos favorecidas economicamente, usufruírem de um bom sistema de tratamento de água.

“O projeto está avaliando todas as variáveis pertinentes ao estudo, como: a forma do produto, a sequência de material filtrante, e os tipos de águas a serem tratadas”, explica a responsável pelo laboratório.

Produtos patenteados

O laboratório de celulose e papel/carvão vegetal já possui três produtos patenteados. O papel de cauaçu, um briquete de açaí e outro de tucumã. Todos são produzidos a partir de resíduos locais e não de matéria-prima virgem oriunda de locais distantes. “Temos que observar o que a Amazônia nos oferece e assim verificar o que podemos fazer para aplicar melhorias na vida da população”, explica Amazonas.

Uma das patentes é o papel de cauaçu, que é feito a partir de resíduos de uma planta usada pelas artesãs da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Anamã, localizado entre os rios Japurá e Negro. O resíduo foi processado e seu papel apresentou ótimos resultados para impressão e pequenas embalagens.

Já os briquetes de tucumã e açaí, feitos com os resíduos dessas frutas, funcionam como uma fonte alternativa, para padarias, pizzarias e outros empreendimentos, que utilizam carvão vegetal como fonte de energia.

Os briquetes oferecem vários benefícios: são mais fáceis de transportar, não contribuem com o desmatamento irregular na Amazônia e usam resíduos agroflorestais na sua produção, além de possuir ótimo poder calorífico, o que representa economia, pois o volume usado é inferior ao do carvão convencional.

Tecnologia social/Resíduos
Entende-se por Tecnologia Social toda aquela tecnologia adaptada com intuito de atingir as classes menos favorecidas, sempre preservando seu baixo custo, pois todos os produtos gerados pelo laboratório de celulose e papel/carvão vegetal do Inpa são oriundos de resíduos coletados na área urbana de Manaus.

“A tecnologia social contribui para o desenvolvimento sustentável, beneficiando a sociedade sem agredir a natureza”, ressalta a tecnologista.

“É preciso entender que o resíduo sem o devido amparo, é dinheiro perdido e matéria-prima não aproveitada. Nosso dever como pesquisadores, é desenvolver uma tecnologia com esses resíduos para disponibilizar para sociedade”, comenta.

Educação ambiental e capacitação
Para repassar toda tecnologia desenvolvida nos laboratório do Instituto, o laboratório realiza Educação Ambiental em palestras, workshops, seminários, para que todos os interessados aprendam as técnicas. “Realizamos um curso de duas semanas, chamado “Reciclagem: princípios e técnicas” que é aberto para toda sociedade. As pessoas aprendem os princípios básicos para confecção, normais de gestão, e como coletar e armazenar os resíduos, todos podem participar”, convida Amazonas.

Este ano será realizado um workshop, com um grupo produtivo no bairro Japiim, zona sul de Manaus, no dia 22 de fevereiro, no Centro do Grupo de Mulheres Produtivas.

“A pesquisa é financiada pela sociedade, e nada mais justo que as nossas pesquisas sejam aplicadas em melhorias para toda população, em seus vários ramos”, finaliza.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Programa deve recuperar mais de 4 mil km de vicinais no Amazonas

Fonte: acritica.com

A Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) lança nesta quarta-feira (29) no auditório da Sepror (avenida Buriti, nº 1.850, Distrito Industrial, zona sul), as ações de recuperação de vicinais previstas no Programa Amazonas Rural. A meta do Amazonas Rural é recuperar mais de 4 mil km de vicinais em todo o Estado.

De 2007 a 2010, já foram recuperados 1.174 km; de 2011 a 2012, 413 km. Ainda em 2012, está prevista a recuperação de mais 640 km, além de 500 km em projetos do Governo. O restante deverá ser concluído nos próximos anos.

A execução está sendo realizada com recursos próprios e oriundos de parceria com o Incra e Suframa. Somente neste ano, o Estado investiu R$ 4.249.000,00. O volume de recursos investidos pelos parceiros ultrapassa R$ 16 milhões.

Serão beneficiados os municípios de Manicoré, Canutama, Carauari, Novo Aripuanã, Iranduba, Atalaia do Norte, Maués, Benjamin Cosntant, Tabatinga, Itacoatiara, Autazes, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva. Nesta etapa serão beneficiadas mais de cinco mil famílias e também haverá a geração de aproximadamente 2.500 empregos.

O Amazonas Rural projeta investimento de R$ 1 bilhão, sendo R$ 100 milhões por parte do Governo, R$ 200 milhões de parceiros públicos e R$ 700 milhões da iniciativa privada. Durante lançamento em julho, o governador Omar Aziz anunciou um pacote de R$ 600 milhões para obras de infraestrutura no interior do Estado, que inclui construção de estradas e vicinais, portos e melhoria na infraestrutura das cidades.

Vicinais
As estradas vicinais destinam-se a canalizar a produção para polos com maior estrutura para armazenagem e comercialização e são de grande importância econômica e social para as comunidades rurais. Além de garantir transporte para os mercados agrícolas, essas estradas também oportunizam o acesso às facilidades de educação, saúde e maior variedade de bens de consumo.

A importância das vicinais nas áreas rurais da Amazônia está além do escoamento da produção e suprimento das cidades e comunidades locais. Os ramais e vicinais possuem uma relevante função social, uma vez que proporcionam condições de acesso mais adequadas para as populações dessas áreas, bem como oportunizam perspectivas de desenvolvimento econômico.

Foto: Ney Fernandes/Freelance

Projeto de monitoramento de carbono recebe ajuda de moradores em Manaus

Fonte: acritica.com

Os moradores da área situada no entorno do Igarapé do Passarinho, Zona Norte de Manaus, serão chamados, nesta quarta-feira (29), a atuar como parceiros do Projeto CO2 de Monitoramento de Carbono, que está sendo desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e pelo Fundo Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA), com a finalidade de promover a medição dos estoques de Carbono em árvores plantadas em trechos da margem do igarapé.

O projeto é pioneiro no País e envolve alunos de escolas da rede municipal de ensino situadas nas proximidades do igarapé e na zona rural de Manaus. A ideia é fazer com que os moradores conheçam o projeto e possam ajudar na conservação e proteção das árvores demarcadas para as medições. Além de medir, o projeto também realiza o plantio de novas mudas que passarão a ter o crescimento monitorado.

A ação de sensibilização da comunidade faz parte do conjunto de práticas educativas do projeto. Além do monitoramento do crescimento das árvores, os alunos também fazem a pesagem dos estoques de Carbono existente nos resíduos gerados nas escolas. O projeto é desenvolvido em parceria com o Laboratório de Manejo Florestal do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), responsável pela elaboração dos cálculos de estoque de Carbono. No local, a equipe de educação ambiental vai aplicar um questionário junto aos moradores. Além do questionário, entregarão também folhetos relacionados ao projeto, com informações sobre efeito estufa, mudanças climáticas e aquecimento global.

O trabalho de sensibilização desenvolvido pela Divisão de Educação Ambiental da Semmas acontecerá durante quatro dias (29/08, 30/08, 3/09 e 04/09). A ação acontecerá nos trechos situados entre as ruas Cururepa e Quichuá e as ruas Sabiá e Canarinho, onde estão situadas as escolas municipais Antonio Moraes e Sabá Raposo, respectivamente.

Foto: Divulgação/Semmas

sábado, 25 de agosto de 2012

Amapá investe em criação de peixes para reduzir preço e gerar renda


Fonte: portalamazonia.com

Incentivar e melhorar a criação e produção de peixes para comercialização no Estado. Este é o objetivo do Projeto de Manejo de Pescado, que atende produtores beneficiados pelo Fundo de Desenvolvimento Rural (Frap). O benefício funciona por meio da Secretária de Desenvolvimento Rural (SDR), com recursos provenientes do Banco da Amazônia (Basa). Atualmente, são atendidos cerca de dez piscicultores no Amapá.

O acompanhamento técnico desses produtores é feito pela Agência de Pesca do Amapá (Pescap), que dá início ao projeto e o acompanha in loco, até o ponto de comercialização. Atualmente, o Estado está na fase inicial do processo. “Estamos iniciando este trabalho e logo o Amapá terá uma grande produção de pescado a um preço acessível a todos”, conta a técnica em aquicultura, Tereza de Aquino.

O projeto no Amapá é feito com o principal pescado, o tambaqui, e se inicia com a secagem dos tanques que tem tamanho médio de 20mx40m, com profundidade de 1,30m de altura. Em seguida, é feita a desinfecção com calcário e é colocado adubo químico ou de gado, para depois de dois ou três dias ser cheio. “Fazemos a análise do terreno antes de começar o preparo dos tanques. É preciso observar as condições favoráveis para a criação dos peixes, como a disponibilidade de água em abundância”, explica Tereza. Ela garante que o clima do Estado é favorável para a criação de pescados.

Depois de cheios,  os alevinos são colocados nos tanques e passam a ser acompanhados mensalmente. Nesse processo, são observadas as condições de água como o oxigênio e PH. As informações ajudam a dividir os tanques de acordo com a fase em que se encontram. No berçário, os alevinos passam a fase inicial. Em seguida, eles são trocados para os tanques de crescimento e por último o de engorda. O ciclo completo de fase de alevinos a comercialização dura em cerca um ano.
Para o gerente de assistência técnica do Pescap, Giseldo Cardoso, o maior problema do produtor rural não é a criação e cuidado com o pescado, mas a administração. É exatamente nesse ponto que os técnicos entram com o apoio. “Como esses piscicultores receberam um recurso, é preciso um planejamento e administração correta para que tudo ocorra bem, buscando sempre formas de diminuir os custo”, revela Giseldo.
Ele explica ainda que um dos gargalos da produção de pescado no Amapá é a exportação da ração e a compra dos alevinos. “Como o Estado ainda está iniciado nesta prática, não temos produtores de ração. Por isso, precisamos comprar de fora a um custo alto, que sai em média R$ 57 mil por ciclo. Outro fato que também encarece o preço do pescado é a compra dos alevinos ou ainda na forma de larva para o desenvolvimento, sendo que ainda não estamos trabalhando com a reprodução dos peixes no Amapá”, destaca o gerente de assistência técnica do Pescap.

Foto: Thiago Soeiro/ Portal Amazônia

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Parceria com Coca-Cola vai gerar 2,5 mil empregos no AM

 Fonte: portalamazonia.com

A multinacional Coca-Cola fechou parceria com o Governo do Amazonas para a compra do açaí. O objetivo é a geração de suco da fruta amazônica. A expectativa, para o primeiro semestre de 2013, é de que 2,5 mil produtores trabalhem na etapa inicial do projeto. Apenas para esta fase, é estimada uma safra de 300 toneladas.

De acordo com o presidente da Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADS), Valdelino cavalcante, ficou acordado entre representantes da Coca-Cola e secretarias e autarquias do governo uma pesquisa para a realização de um inventário floretal do açaí. O potencial da fruta será avaliado em 90 dias, especialmente nos municipíos de Carauari, Manacapuru, Boca do Acre e em Benjamin Constant.  Na cidade de Humaitá, somente um produtor já conta com 50 mil pés do palmito.

A parceria engloba aparelhamento de informações para os produtores e disposição de estrutura para o comércio entre os agricultores e a multinacional. Com isso, as auditorias finais nas agroindústrias acontecem até fevereiro do próximo ano. “Devido à força do projeto, há um compromisso de governo de construir a Estrada do Riozinho, em Carauari. A via é necessária para o escoamento da produção – e ainda há a possibilidade da Estrada do Umarizal e Perimetral Norte, em Benjamin Constant. Os representantes da Coca-cola viajaram conosco para conhecer os agricultores e se surpreenderam com a seis agroindústria visitadas no interior”, afirmou cavalcante.

Para firmar a parceria, representantes da Coca-Cola visitaram agroindústrias para apontar as adequações que deverão ser realizadas para que o acordo seja fechado. Sobre essas normas, o diretor-presidente da ADS salientou que não há nada que possa impedir as empresas de atenderem as exigências da Coca-Cola. “São pequenos ajustes na pasteurização, por exemplo. Após tomarem as devidas providências, haverá uma auditoria final para o início à compra da próxima safra de açaí amazonense, que ocorre entre janeiro e julho de cada ano”, comemorou Cavalcante.

Gestores nacionais da Coca-Cola consideram o projeto um dos mais desafiadores da multinacional, mas garantiu que a empreitada será um grande aprendizado para ele como profissional. Até a primeira quinzena de outubro, será realizado um levantamento para diagnosticar o potencial produtivo do açaí na região.

Para melhorar a escoação do produto, o Governo do Amazonas afirmou que irá viabilizar as estradas do Riozinho e do Gavião em Carauari, e possivelmente a Estrada do Umarizal e Perimetral Norte em Benjamim Constant.

Boas expectativas

De acordo com o presidente do Idam, Edmar Vizolli, a parceria com a Coca-Cola é um momento importante para investir ‘de maneira correta’. “Estaremos juntos fiscalizando o mapeamento, para que se possa chegar ao número mais próximo da realidade. Nosso desafio é fazer com que as políticas públicas cheguem até os produtores”, afirmou.

Para Superintendente Técnico-Científico da FAS, que também coordena a implementação do Programa Bolsa Floresta nas unidades de conservação do Amazonas, João Tezza, os órgãos do governo precisam estar integrados. “Vamos realizar juntos e com grande empenho este projeto, temos uma grande riqueza e precisamos levar em conta a cultura e conhecimento de cada região. Está chegando uma nova visão ao interior é um dos maiores desafios”, enfatizou.

Somente no ano passado,  a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) investiu R$ 144 milhões na operacionalização de empresas beneficiadora de frutas. “No que depender da Afeam para ajudar as agroindústrias nas adequações, estaremos disponíveis, pois sabemos que o desafio é grande, mas será recompensador”, afirmou o presidente da Afeam, Pedro Falabella.

Foto: Divulgação/Fapeam

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Produtores de algodão aguardam colheita com nova variedade transgênica

 Fonte: d24am.com

Os produtores terão que esperar, ao menos, seis meses para confirmar as apostas no aumento de produtividade e qualidade do algodão com o uso da nova variedade transgênica, aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Depois de um ano em análise, a tecnologia comercialmente denominada de Bollgard II Roundup Ready Flex promete tanto resistência às pragas, como a lagarta rosada, quanto a tolerância ao glifosato, o que permite aplicação em várias fases do cultivo do algodão.

Essa é a 12ª variedade transgênica aprovada pelo órgão técnico para a produção algodoeira no país. O presidente do Instituto Matogrossense do Algodão (IMA), Álvaro Salles, acredita que a nova tecnologia será uma solução mais barata e menos restrita do que as usadas anteriormente.

Segundo Salles, atualmente, poucos produtores de algodão aplicam produtos como a soja Roundup Ready (RR) que tem o uso restrito à fase inicial do cultivo. Já em relação ao Algodão Liberty Link, ele afirma que “resolveu muitos problemas na produção, mas é um produto caro”.

O custo da tecnologia Bollgard II Roundup Ready Flex é um terço do investimento feito com o Liberty Link (US$ 15, cerca de R$ 30). Salles acredita que essa economia, associada aos efeitos da variedade, explica o uso em mais de 80% da produção norte-americana e australiana de algodão.

“No Brasil a gente acredita que vai crescer rapidamente”, disse Salles, ao lembrar que o processo pode demorar ainda mais do que um semestre, considerando que os produtores ainda terão que multiplicar as sementes. “Hoje o produtor usa outros herbicidas de custo elevado e de relativa agressão ao meio ambiente. A nova tecnologia vai facilitar esse manejo. Agora, o quanto vai facilitar, depende de quanto será cobrado pelos direitos tecnológicos”, acrescentou.

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) estima que a produção do algodão nesta safra vai alcançar 1,8 milhão de toneladas, prejudicada pela estiagem na Bahia e pela chuva em Mato Grosso, os dois maiores produtores de algodão do país.

“Pode faltar algodão em março e abril. Nesta conta, temos a exportação de 1 milhão de toneladas e o consumo interno de 900 mil toneladas. A conta não fecha”, avaliou Sérgio De Marco, presidente da Abrapa.

Com preços internos em queda (R$52/arroba), De Marco afirma que o cenário atual aponta para uma perda de 30% da área plantada. “É mais lucrativo plantar soja e milho”, acrescentou o produtor que critica o “atraso tecnológico de dez anos do Brasil, em relação aos Estados Unidos e à Austrália”.

“[A nova tecnologia] será ótima para o produtor e para a indústria têxtil que vai ter algodão de melhor qualidade. A qualidade vai melhorar muito porque é mais fácil para o produtor trabalhar com uma lavoura limpa. Quanto à produtividade, fica um ponto de interrogação, mas tudo indica que também pode aumentar”, destacou.

O presidente da CTNBio, Flávio Finardi, explica que a liberação comercial do Bollgard II Roundup Ready Flex ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Biossegurança, composto por 11 ministros do governo.

“Esse terceiro produto [cruzamento de duas variedades transgências anteriormente aprovadas pela CTNBio] reúne a resistência a ataque de insetos e tolerância a herbicidas. Vai existir chance de manejo mais adequado no combate a pragas e a ervas daninhas. Esse tipo de ferramenta, que vai estar na própria planta, é uma vantagem”, disse.

Foto: Marcos Negrini/Secom-MT/Agência Governo MT/AE