terça-feira, 3 de julho de 2012

Borracha na Amazônia: incentivo à retomada da cadeia produtiva

Fonte: portalamazonia.com.br

MANAUS – A capital amazonense viveu seu apogeu no início do século 20, em uma época onde a borracha impulsionou a geração de riqueza na região. Do período da Belle Époque para os dias atuais, a fonte de divisas mudou; com destaque para as centenas de empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus. A extração do látex das seringueiras, no entanto, volta a ser alvo da atenção do Governo, que agora busca revitalizar a cadeia produtiva no Amazonas.

A extração da borracha passou décadas praticamente no esquecimento. De acordo com a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, a atividade só retomou o fôlego em 2003, quando a safra do produto foi de 120 toneladas. Em 2007, a produção local superou 800 toneladas. Nesse período, com crescimento superior 660%, o valor aplicado na atividade saltou de R$ 74 mil para R$ 560 mil.

Atualmente, mais de 1,9 mil famílias estão envolvidas na atividade da borracha no Amazonas. Elas são beneficiadas com a contrapartida de R$ 1 no valor do quilo da Borracha Natural Bruta (BNB) – pago pelo governo. São comunidades extrativistas em Atalaia do Norte, Boca do Acre, Borba, Canutama, Carauari, Coari, Eirunepé, Envira, Fonte Boa, Humaitá, Ipixuna, Itacoatiara, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manicoré, Nova Olinda Norte, Novo Aripuanã, Pauini, Santo Antônio do Içá, São Gabriel da Cachoeira, São Paulo de Olivença, Tapauá e Urucurituba.

Borracha na Amazônia, apogeu e decadência

Para este ano, a previsão de investimentos na revitalização da cadeia ficou em R$ 2,8 milhões. Um montante investido em subsídios para os seringueiros e na melhoria da infraestrutura viária nas áreas de produção. O objetivo é ampliar o número de municípios beneficiados, aumentar o número de produtores à meta de 10 mil, e atrair novas empresas para industrialização da borracha.

A expectativa da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) é alcançar a produção de cinco mil toneladas/ano até 2014. Para fomentar o setor, o programa de revitalização inclui a abertura de estradas para facilitar o acesso dos seringueiros aos locais de sangria das árvores, meios de transportes para o escoamento da produção do local da colocação até o local de armazenamento, e capacitação para as comunidades extrativistas e gestão de empreendimentos.

No início do mês, a Sepror anunciou um convênio com o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) com uma verba de R$ 1,5 milhão. O aporte é destinado à aquisição e distribuição de 2 mil kits sangria, com tigelas, bicas, facas para o corte da seringueira, facão, balde e lanterna de cabeça. Um trabalho realizado em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam).

Outra ação destinada a fortalecer o setor da borracha no Amazonas é a construção casas para seringueiros do Estado. A liberação de recursos para o projeto de habitação rural foi dado esta semana pelo Ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. No total, está prevista a entrega de casas populares para nove mil famílias.

O ministro Aguinaldo Ribeiro autorizou a Secretaria Nacional de Habitação a liberar R$ 25 milhões para a construção de mil casas, no valor de R$ 25 mil cada uma. As primeiras serão construídas nas calhas do Juruá, Japurá, Madeira, Purus, Jutaí, Rio Negro, Amazonas e Solimões. A prioridade são as famílias com renda anual de até R$ 15 mil e declaração de aptidão ao Pronaf (DAP).

Os critérios seguirão basicamente os mesmos do Programa de Habitação Popular para Produtores Rurais, no qual as casas são entregues em nome da mulher.

A borracha

A seringueira é uma árvore de grande porte, que pode atingir até 40 m de altura. Mas, para garantir a conservação da espécie uma das recomendações repassadas na oficina é que o seringueiro deve cortar para a extração do látex somente as árvores que possuem mais de 70 cm de circunferência de rodo e uma altura de 1,3.
Os seringais nativos são encontrados no Brasil nos estado do Acre, Amazonas, Rondônia, Pará, Amapá e norte do Mato Grosso. Um seringueiro pode cortar de 80 a 120 árvores/dia e coletar entre 10 e 20 litros para uma estrada de mais ou menos 120 árvores.

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